sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Algum dia de maio.


Há tempos que não lhe escrevo.
Tem tempos que não preencho suas linhas,
suas pautas,
suas putas.

Putas pretas são tão pobres, mais esnobes são as brancas.
Não putas... Brancas apenas.
E os Pedros!?
De alguns Pedros os peitos dos pés não são pretos. 
Alguns pedros são pretos por inteiro.
Outros são pobres por inteiro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

E de tanto amar construí um mundo.
Simples e objetivo mundo.
Construído com o mais profundo pesar e misericordiosa felicidade.

Me sentei na beira do mar e tentei construir um amor que fosse sincero, um amor que ainda que fosse com o vento, como a areia que ali eu sentia, me afetasse do mais puro contentamento pelo simples fato de existir assim como me afetava a imagem das memórias da infância.

Mas era muito difícil construir um amor de areia e solidão, e no primeiro vento mais forte me senti só outra vez.

Foi quando vendi minhas coisas e parti... Parti para um lugar tão longe quanto se pode imaginar.... Um lugar nem escuro nem claro, mas apenas que pudesse ser chamado de nosso...

Com tudo isso o que é que sobra?

[Sim, porque se sobrar algo esse algo é pouco.

E será que vai dar para dividir entre nós?

De fato somos poucos, menos que muitos, mas ainda assim somos um bom tanto.
E esse tanto teima em querer mais. E quando é que mais deixa de ser pouco e passa a ser, de fato, um tanto quanto mais?

O segredo é mentir. Que mintamos tudo. Mintamos nossas idades,
Estado civil,
Numero do RG,
Sentimentos.  
                                                                                                                                                                                                                       E todo resto.

Chuva de verão

Quando a chuva começar pendurarei nossas roupas no varal.
Protestarei contra o tempo e contra nós.

Protestarei contra a tempestade de cada um.

Colherei a luz dos relámpagos com a colher de sopa de minha avó para iluminar o oco de mim ao ingerir tamanha luminescência.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Eu te amo

A vida é um crime. Criminalizam nossos atos. Criminalizam nossas funções, criminalizam nosso lazer e até nossos sorrisos.
O fato é que podemos muito pouco, quase nada... 
Nos permitem ter pouco, sentir pouco, dançar pouco, viver pouco. O trabalho também é pouco, mas quem trabalha trabalha muito, no entanto, é verdade que recebe pouco. 

Mas deve-se agradecer sempre!

Enquanto nos proíbem cada vez mais, grandes veículos de metal com grandes rodas são permitidos nas estreitas avenidas de meu país. O grande veículo que suporta cinco, carrega um e polui por muitos é incentivado pelo governo do estado e pelo estado de espírito dos estados do meu país.
Não que eu me importe com o mundo, o mundo seguirá conosco ou sem nós. Mas e nós? Até que ponto seguiremos assim?

Ah! Que cada um cuide de seus direitos, você pode dizer. Que recorra a constituição de 1988, a qualquer artigo ou inciso que lhe valha uma vitória. Que recorram ao raio que os parta se for preciso eu não tenho nada com isso!

Mas como? Eu perguntaria. Mal sabemos ler...

E lendo tão pouco compreendemos tanto da fome, da dor e da alegria de se fazer viver!
E com tão poucos dentes sorrimos mais do que você, expondo nossas gengivas em largos sorrisos comoventes.

Mas nossas gengivas te incomodam me parece.

Criar condições para manter os dentes do homem? Não, você me diz... Sua ideia é muito melhor: 

Criemos uma lei que o impeça de sorrir. 
Criemos uma lei que o impeça de ter motivos para sorrir, mostrar suas gengivas detestáveis, e sua barba por fazer. 

Criemos uma lei que o proíba de dizer eu te amo.